TRABALHO DE FISIOTERAPIA É RECONHECIDO INTERNACIONALMENTE

 

Além de ajudar a quem precisa, o trabalho de Thamires Seus e Pâmela Dias foi reconhecido internacionalmente na edição deste mês da revista Physiotherapy Research International.

Uma ideia de egressas do curso de Fisioterapia da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) se materializou em forma de benefício para pacientes do Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP). Além de ajudar a quem precisa, o trabalho de Thamires Seus e Pâmela Dias foi reconhecido internacionalmente na edição deste mês da revista Physiotherapy Research International. Sob o título “Exercício resistido com treinamento aeróbico é melhor que o treino de força isolado em pacientes que realizam hemodiálise - Resultados de um ensaio clínico randomizado", o estudo das fisioterapeutas provou que pedalar melhora a capacidade dos pacientes de hemodiálise de realizar exercícios. A iniciativa das ex-alunas da UCPel fez com que o Hospital implantasse bicicletas ergométricas no setor de nefrologia.
O estudo foi feito em 2009. Desde então, com a comprovação da melhora no desempenho físico dos pacientes, o Hospital adotou na sessão de hemodiálise a prática proposta no trabalho: sugerir aos pacientes que tiverem condições de pedalar, que o façam por 20 minutos durante dez semanas. De acordo com os resultados apontados na produção de Thamires e Pâmela, quem usa o cicloergômetro durante as sessões de hemodiálise consegue caminhar maiores distâncias e melhorar o desempenho funcional.
A hemodiálise traz complicações aos pacientes com doença renal, pois, com as alterações no organismo, eles se sentem cansados e com dores, o que diminui sua resistência física. Durante a pesquisa, eles foram divididos em três grupos: aqueles que passaram apenas pela hemodiálise, os que aliavam fisioterapia ao tratamento e, ainda, quem fazia hemodiálise, fisioterapia e usava o cicloergométrico.
Para avaliar estes grupos, foi realizado um teste que mediu a distância caminhada por eles durante seis minutos. Esta avaliação foi feita antes e após os treinamentos com bicicleta ergométrica, que ficava à frente da cadeira de hemodiálise e era usada enquanto os pacientes estavam em tratamento. Quem pedalou, caminhou cerca de 40 metros a mais no teste posterior ao uso da bicicleta. “Além de vermos em números a melhora física destas pessoas, percebemos, também, a melhora emocional”, afirmou Pâmela, uma das autoras do estudo.
Os pacientes dos outros dois grupos, que não pedalaram, também realizaram os testes e comprovaram a eficiência do treinamento com bicicleta, pois a distância percorrida por eles diminuiu significativamente. Houve uma diferença de cerca de 20 metros a menos entre a primeira e a segunda avaliação com estes grupos.
Leni Silveira, de 56 anos e em hemodiálise há quatro, acompanhou o estudo desde o seu princípio e aceitou participar dele. “Elas [Thamires e Pâmela] foram atenciosas durante todo o tempo. Resolvi aceitar o desafio, percebi que não era difícil pedalar e hoje vejo que valeu a pena”, afirmou. A ideia das fisioterapeutas inspirou Leni a comprar uma bicicleta ergométrica para sua casa. Dedicada, ela afirma pedalar todos os dias. “Meia hora, sempre”, disse Leni. Quem também se beneficiou com a ideia das egressas da UCPel foi Eduardo Gomes, de 56 anos. Desde 2009 fazendo tratamento, ele diz que nota melhora a cada dia que pedala. “Minhas pernas ficam mais fortes e consigo caminhar com mais facilidade”, observou.
Segundo Thamires e Pâmela, ver os resultados práticos da pesquisa e, ainda, a publicação do artigo na Physiotherapy Research International significou uma vitória. “Desde 2009, quando concluímos a pesquisa, vínhamos tentando fazer com que ela fosse reconhecida. Agora, ver nosso trabalho nesta revista é muito gratificante”, afirmou Thamires. A revista é uma das maiores publicações na área de Fisioterapia em todo o mundo, com trabalhos que representam a variedade de culturas e de contextos onde as suas atividades são aplicadas

Fonte: Universidade Católica de Pelotas

As vantagens dos cursos on line


Flexibilidade de tempo e espaço: elimina barreiras físicas e proporciona a oportunidade de atualização e aprendizagem das pessoas que tenham dificuldades de deslocação ou de agenda, podendo estudar no momento em que lhes for mais apropriado;

Flexibilidade de ritmo: as pessoas podem evoluir de acordo com o seu ritmo, e de acordo com a sua velocidade de aprendizagem;

Acompanhamento individual: podem tirar as suas dúvidas on-line de acordo com as suas necessidades;

Os cursos on-line reduzem os custos em relação aos dos sistemas de ensino presencial e tradicionais;

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AS PROFISSÕES QUE NÃO PARAM DE CRESCER NA SAÚDE

 

Fisioterapeuta, Tecnólogo e Fonoaudiólogo estão entre as profissões que não param de crescer

Quando se pergunta às crianças o que elas querem ser quando crescerem, uma das respostas mais comuns é "médico". Quando crescem, no entanto, descobrem que a profissão é um dos muitos caminhos a seguir na área de saúde, mas não o único. Entre as opções, há a carreira de tecnólogo ou de técnico em diferentes áreas, de cuidadores de idosos, de nutricionista e de fonoaudiólogo.
Um dos segmentos que tem registrado um número cada vez maior de ofertas de emprego é o de atendimento aos idosos, que acompanha o crescimento da população desta faixa etária em todo o mundo. Segundo dados do IBGE, 7,4% dos brasileiros têm mais de 65 anos, e a expectativa é que o crescimento dessa faixa da população continue nos próximos anos, o que faz aumentar as oportunidades de trabalho para quem atua com a Terceira Idade, seja para médicos, enfermeiros ou profissionais de outras áreas que queiram se especializar.
Se você estiver interessado em atuar na área de saúde, mas não sonha em ser médico, listamos algumas opções de carreira com boas oportunidades no mercado de trabalho:
- Fisioterapeuta
O que faz: Previne, diagnostica e trata disfunções do organismo humano causadas por acidentes, má-formação genética ou vício de postura. Além de ajudar na recuperação de pacientes acidentados e portadores de distúrbios neurológicos, cardíacos ou respiratórios, trabalha com idosos, gestantes, crianças e portadores de deficiência física ou mental. Pode atuar em clubes esportivos, hospitais, centros de reabilitação e em clínicas de fisioterapia e ortopedia. Em empresas, trabalha com a prevenção de acidentes de trabalho e com a correção postural dos funcionários. Em escolas, corrige e orienta a postura de crianças, jovens e adultos.
- Fonoaudiólogo
O que faz: Atua em pesquisa, orientação, perícias, prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento fonoaudiológico na área da comunicação oral e escrita, voz, audição e equilíbrio, sistema nervoso e sistema estomatognático, incluindo a região cérvico-facial. Este profissional tem ampla autonomia, não sendo subordinado ou mero auxiliar de outras áreas do conhecimento ou especialidades. Pode atuar sozinho ou em conjunto com outros profissionais de saúde em clínicas, hospitais, centros especializados em diagnósticos; institutos gerais de perícia; centros de referência em saúde do trabalhador; como auxiliar do poder judiciário no âmbito das perícias judiciais que envolvem a área da audição, fala e linguagem, equilíbrio e demais áreas correlatas, nas esferas cível, trabalhista e criminal; em creches, escolas (comuns e especiais) e comunidades, incluindo o Programa de Saúde da Família; unidades básicas de saúde, unidades de referência para a média e alta complexidade de procedimentos do SUS; emissoras de rádio, televisão e teatro; atendimento domiciliar; empresas de próteses auditivas; indústrias, centros de habilitação e reabilitação; entre outros. Alguns optam por trabalhar com faixas etárias específicas, ou se concentram em tratamentos para problemas específicos de linguagem ou de deglutição.
- Enfermeiro do trabalho
O que faz: Presta apoio ao paciente em ambulatórios, em setores de trabalho e em domicílio, e fiscaliza a execução de atividades relacionadas aos serviços de higiene, medicina e segurança do trabalho, integrando equipes de estudos. Estuda e observa condições de higiene, periculosidade e segurança no ambiente de trabalho, além de planejar e executar ações de prevenção de riscos e acidentes com os trabalhadores. Cabe a ele a coleta de dados de doenças ocupacionais, realização de inquéritos sanitários, coleta de dados estatísticos de morbidade e mortalidade de trabalhadores e etapas precedentes aos estudos epidemiológicos. Executa e avalia programas de prevenções de acidentes de trabalho e de doenças profissionais ou não-profissionais, fazendo análise da fadiga, dos fatores de insalubridade, dos riscos e das condições de trabalho do menor e da mulher, para propiciar a preservação de integridade física e mental do trabalhador.
- Tecnólogo cardiovascular e técnico/tecnólogo vascular
O que faz: Realiza exames através de tecnologia de imagem tanto no coração como no sistema vascular para ajudar os médicos a detectarem e diagnosticarem possíveis problemas no coração e vasos sanguíneos. Alguns tecnólogos e técnicos fazem treinamento na própria empresa, mas muitos empregadores exigem certificação profissional.
- Tecnólogos ou técnicos em laboratórios de análises clínicas
O que faz: Executa tarefas em um laboratório clínico, tais como coleta de amostras e realização de testes para analisar fluidos corporais, tecidos e outras substâncias. Nos Estados Unidos, em 2010, 52% desses profissionais trabalhavam em hospitais.
- Auxiliar de consultório dentário
O que faz: Auxilia os dentistas no atendimento aos pacientes de várias maneiras, como deixar o paciente confortável ??antes dos procedimentos, esterilização de equipamentos, ensinar os pacientes a fazerem a higiene bucal e agendar as consultas e compromissos do dentista.
- Nutricionistas/ Nutrólogos
O que faz: Especialistas em alimentação e nutrição, eles aconselham os pacientes sobre o que comer, a fim de levar uma vida saudável ou alcançar metas de peso corretas. A maioria dos trabalhadores neste segmento tem graduação superior.
- Atendente de óticas
O que faz: Atendem os clientes e os orienta na escolha dos óculos e lentes de contato, a partir da receita do oftalmologista. Esses profissionais costumam ter diploma de ensino médio ou equivalente, e muitos recebem treinamento específico nas óticas onde vão trabalhar. O treinamento pode incluir instrução técnica e de vendas e práticas de gestão de negócios.
- Cuidador domiciliar
O que faz: Com a população de idosos crescendo, aumenta também a necessidade de contratação de pessoas especializadas em cuidados pessoais a domicílio. Estes profissionais ajudam os pacientes idosos, deficientes ou doentes que não são capazes de cuidar de si de forma independente. Eles ajudam com tudo: desde a medicação, banho e vestimenta e tarefas domésticas. Podem trabalhar na casa do cliente, em clínicas ou casas especializadas em cuidados com idosos.
- Técnico em farmácia
O que faz: Ajuda os farmacêuticos licenciados a manipular as prescrições dos medicamentos, assim como executam tarefas administrativas nas farmácias. A maioria dos técnicos tem diploma de ensino médio ou equivalente. Estes profissionais pode trabalhar tempo integral ou parcial em farmácias tradicionais ou de manipulação ou em hospitais.

Fonte: O Globo

MITOS E VERDADES SOBRE A COLUNA VERTEBRAL

 

Cruzar as pernas prejudica a coluna? Fumantes sofrem mais de dores nas costas? Praticar natação melhora a escoliose? Dormir no chão ajuda a colocar a coluna no lugar?

Composta por ossos que são chamados vértebras, a coluna vertebral é considerada uma das mais importantes regiões do corpo humano. Muito flexível, esta parte de nosso corpo é responsável pela sustentação da cabeça, fixação das costelas e os músculos do dorso, além de suas curvaturas serem responsáveis pela força e equilíbrio corporal.
A coluna vertebral (ráquis) é constituída pela superposição de uma série de ossos isolados denominados vértebras. Superiormente, se articula com o osso occipital (crânio); inferiormente, articula-se com o osso do quadril (Ilíaco). A coluna vertebral é dividida em quatro regiões: Cervical, Torácica, Lombar e Sacro-Coccígea. São 7 vértebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e cerca de 4 coccígeas. O sacro e o cóccix não se movimentam e as vértebras restantes (cervicais, lombares e torácicas) são móveis.
Problemas como escoliose, artrose, hérnia de disco, entre outros, afetam grande parte da população. Assim, muitos mitos são criados quando o assunto é coluna vertebral.
O médico Pedro Augusto Deja Teixeira, neurocirurgião, especialista em cirurgia da coluna vertebral e diretor clínico do Instituto Paulistano de Neurocirurgia e Cirurgia da Coluna Vertebral, revela alguns mitos e verdades sobre o tema:
1º Praticar natação ajuda a corrigir escoliose?
Mito. A natação, por ser uma atividade simétrica, não pode colaborar na correção da curva escoliótica. Este exercício, além de trabalhar o fortalecimento muscular, promove o alongamento de forma equilibrada utilizando os dois lados com a mesma intensidade. Ao contrário do tratamento, que muitas vezes visa corrigir a escoliose com distribuições diferentes em cada lado da coluna, para equilibrar a cadeia cinética posterior. Além disso, algumas modalidades da natação, como borboleta e nado peito, podem prejudicar a coluna, gerando sobrecarga excessiva sobre a região.
2º Cruzar as pernas pode prejudicar a coluna?
Verdade. Claro que o hábito de cruzar as pernas, para as mulheres, é uma posição confortável, além de elegante, porém, é preciso ficar atento para não abusar deste hábito e prejudicar a saúde. Ao cruzar as pernas, a coluna vertebral se desvia para a esquerda ou para a direita, devido o desequilíbrio da região pélvica. Outro problema que pode ser ocasionado por este costume, além de prejudicar o fluxo sanguíneo, é a escoliose (desvio da coluna vertebral no plano frontal).
3º Dormir no chão – ou num colchão duro – é bom para as costas?
Mito. A rigidez poderá agravar, ainda mais, a contratura muscular. Durante uma provável crise de dor nas costas, a pessoa deve repousar em seu próprio colchão, podendo deitar-se de lado, com um travesseiro entre as pernas.
4º Cirurgia é a única saída para acabar com a hérnia de disco?
Mito. Hérnias de disco representam uma causa comum de dor nas costas. Mas não é a única. Ao identificar uma hérnia de disco, o médico, ortopedista ou neurocirurgião, deve estar atento para outros problemas na coluna que podem acompanhar essa condição. Desta forma, pesa na decisão do médico a associação com outras alterações e como elas se traduzem clinicamente. Além disso, a decisão deve ser baseada mais no prejuízo que a doença traz para o paciente em termos de perda de horas de trabalho e lazer, limitações físicas para as atividades do dia-a-dia e perda na qualidade de vida e menos no resultado dos exames de imagem. Diversos tratamentos podem aliviar o problema, entretanto, é sempre recomendável procurar um especialista antes de tomar qualquer decisão.
5º Todos que sofrem de dor nas costas devem realizar uma ressonância magnética?
Mito. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 80% das pessoas sofrem ou sofrerão de dor nas costas pelo menos uma vez na vida. Entretanto, o primeiro passo para combater este mal é procurar um especialista e descobrir as causas para solucionar de vez este problema.
6º Estalar o pescoço com o movimento da cabeça faz mal à coluna?
Verdade. Apesar de esse hábito propiciar alívio para alguns nunca se deve fazer isso. Estalar a coluna e o pescoço prejudica – e muito – suas articulações, além de causar, em alguns casos, dores de cabeça, zumbidos e vertigens.
7º Fumantes têm mais dores nas costas do que não fumantes?
Verdade. O cigarro, não faz bem a nenhuma parte do corpo humano, e em relação às costas, não poderia ser diferente. Os fumantes inalam mais substâncias tóxicas, sendo assim, prejudicam a circulação sanguínea no disco intervertebral, que pode causar mais dores na região.

Fonte: Vida Equilíbrio

COMO É A FISIOTERAPIA NOS ESTADOS UNIDOS?

 

O campo de Trabalho da Fisioterapia fora do Brasil cresce a cada ano!

O campo de trabalho para fisioterapeutas na América do Norte mudou muito nos últimos dez anos. Isto ocorreu principalmente devido à mudança do sistema de saúde Norte Americano. Esta mudança afetou a maneira que fisioterapeutas trabalham no Canadá nos meados dos anos noventas e começou a afetar o campo de trabalho de fisioterapeutas americanos agora no final desta década também.

No Canadá, o sistema de saúde é parcialmente socializado, os fisioterapeutas recebiam o pagamento do governo, mas as clínicas deles eram particulares.
Apesar desta socialização da medicina, o serviço de saúde é de primeiro mundo. Ou seja, não existe fila para atendimento de pacientes, qualquer paciente recebe o mesmo tratamento independente da condição financeira do mesmo.

No Canadá na cidade que morei de 660 mil habitantes, em 1994, existiam por volta de 80 clínicas particulares de fisioterapia, cada uma com seu próprio dono, geralmente um fisioterapeuta. Os fisioterapeutas também são bem remunerados, com a média de salários de recém formados por volta de pelo menos 30 mil dólares canadenses anuais. Os terapeutas que tinham suas próprias clínicas geralmente ganhavam mais de 80 mil dólares canadenses anuais. Muitos tinham duas ou três clínicas.

Quando comecei a trabalhar no Canadá (na província de Alberta) em 1991, todo paciente tinha que visitar um médico de família ou de consultoria geral antes de ser enviado à um especialista. No caso de pacientes com disfunções ortopédicas ou músculo-esqueléticas, minha área de atuação, estes pacientes visitavam um médico de família e estes eram inicialmente encaminhados à fisioterapeutas. Os médicos de família, faziam um exame geral do paciente, e se o paciente não tivesse um problema que requeresse uma intervenção de médicos especialistas (fraturas recentes, lesão nervosa do sistema nervoso central, câncer, etc) estes eram encaminhados à fisioterapeutas. Os pacientes recebiam tratamento por 4 à 6 semanas, e se não melhorassem, eles eram enviados à um especialista. Os fisioterapeutas, as vezes, tratavam estes pacientes por semanas ou meses, se o médico generalista continuasse a prescrever fisioterapia. Este tratamento ocorria sem controle administrativo do governo. Esta falta de controle administrativo levou ao abuso de médicos e fisioterapeutas dos serviços de saúde. Muitos tratavam para ganhar dinheiro e não controlavam os seus gastos.

Nos anos de 1992 e 93, o governo canadense começou a controlar o uso dos serviços de saúde. Com a opinião de seus próprios especialistas, o governo parou de aprovar tratamento sem controle administrativo. O número de visitas fisioterápicas que não tinha limites após uma cirurgia, também passou a ser controlado. Todo paciente passou a ter direito de apenas 15 visitas por ano, não importando o diagnóstico do mesmo. A não ser que o paciente pagasse de seu bolso. O controle sobre o atendimento médico também afetou o número de pacientes encaminhados à fisioterapeutas. O governo passou a fiscalizar motivo de cirurgias ortopédicas, motivos para prescrição de fisioterapia, e o motivo para simplesmente se fazer uma visita médica.

Assim, muitos médicos pararam de encaminhar pacientes para fisioterapia para diminuir os custos do governo, mas também para sobrar mais dinheiro para eles tratarem seus próprios pacientes. O número de clínicas, na cidade onde morei caiu de 80 para 50 em dois anos. Isto estimulou a ida de muitos
fisioterapeutas do Canadá para os Estados Unidos, onde o campo de trabalho estava muito bom. Em 1994, mudei para a Florida e perdi um pouco de contato com os fisioterapeutas canadenses. Entretanto, sei que os fisioterapeutas da província de Alberta trocaram o controle médico de prescrições para a autonomia de atendimento direto de pacientes. Portanto, atualmente, visitas à fisioterapeutas, como visitas à dentistas, não são pagas pelo governo, e o paciente tem que pagar seguro de saúde privado para isto ou pagar pela visita do próprio bolso, por volta de 30 dólares canadenses por visita quando sai do Canadá em 1994. Entretanto, como dentistas, fisioterapeutas são autônomos e podem tratar pacientes sem um encaminhamento médico.

Quando Mudei para Florida em 1994, o campo de trabalho para fisioterapeutas estava excelente. A demanda para fisioterapeutas nos Estados Unidos estava tão grande que existiam universidades na Irlanda e Holanda montando currículos para formar profissionais para trabalhar nos Estados Unidos. Entretanto, o capitalismo americano rapidamente supriu tal demanda. No estado da Florida, o número de universidades com currículos para fisioterapeutas dobrou de 4 para 8 universidades de 1990 à 1999 e existem atualmente 3 mais universidades que irão iniciar programas a qualquer momento. Isto sem contar que existem 14 Colleges que formam assistentes de fisioterapeutas e 3 outros que estão para começar a qualquer momento; assistentes na Florida ajudam imensamente a suprir a demanda de trabalho fisioterápico. Muitas escolas particulares estão interessadas a ganhar dinheiro, muitas chegam a cobrar mais de 15 mil dólares por ano, e o número de profissionais no mercado não altera o número de fisioterapeutas que elas formam.

Portanto, agora em 99 o campo de trabalho no Estado da Florida esta ficando saturado.

O salário do recém formado americano também diminuiu nos últimos 12 meses. Além do aumento de fisioterapeutas do mercado de trabalho, a mudança no sistema de saúde americano também contribui para esta queda de salários.

Os Estados Unidos agora tem muitas companhias de seguro saúde afiladas à Health Management Organizations (HMOs). Estes HMOs são organizações que controlam o custo de serviços fornecidos por companhias de seguro saúde. Este controle de custo ocorreu para diminuir o abuso do sistema de saúde americano. Como no Canadá, muitos médicos e fisioterapeutas tratavam sem controlar gastos, os HMOs formaram-se para controlar estes gastos. Antes de HMOs, fisioterapeutas cobravam 30 à 50 dólares por uma aplicação de compressa de água quente ou de ultrasom; atualmente, companhias de seguro saúde não pagam mais por compressa de água quente e o número pago de sessões de ultrasom é limitado. O resultado global deste controle fiscal de gastos contribuiu para a redução nos salários de fisioterapeutas, o recém formado que começava ganhando 36 à 40 mil dolares por ano em 1994, agora começa em 32 à 36 mil na Florida.

Para aqueles brasileiros que pensam em trabalhar nos Estados Unidos como fisioterapeutas, achar trabalho aqui não esta fácil. Enquanto que há uns dois anos atrás o fisioterapeuta podia escolher a cidade e o estado onde quisesse trabalhar, hoje esta situação esta muito mudada. Esta mais fácil de achar
emprego em estados como Alabama, Luisiana, Georgia, Carolina do Norte e talvez o Texas. Em muitos estados populares entre brasileiros (Nova York, Florida, ou Califórnia) achar trabalho em fisioterapia não esta fácil, principalmente em centros urbanos (Miami, São Franscisco, Nova York, Orlando, Boston, etc). A situação fica ainda mais difícil por que os americanos dificultaram a entrada de estrangeiros que querem trabalhar aqui. A American Physical Therapy Associantion (APTA) parece que tomou medidas para proteger o campo de trabalho para americanos. O número de visto emitidos para fisioterapeutas pelo governo diminui consideravelmente. Os requerimentos para obter a licença para trabalhar aqui aumentaram. Atualmente, muitos estados americanos exigem que o estrangeiro passe no TOEFL (teste escrito de inglês que inclui uma parte de audição também) e o teste de Skopen English (teste onde o indivíduo tem que falar em inglês). Além destes últimos testes, existe o exame nacional de fisioterapia, este exame tem muitas perguntas associadas com o sistema de saúde americano e alguns assuntos que não são abordados no currículo tradicional brasileiro, isto dificulta a entrada do fisioterapeuta brasileiro nos EUA. Mas o que vai cortar a entrada de fisioterapeutas estrangeiros aqui quase por completo foi a resolução da APTA de mudar os requerimentos de formação em fisioterapia. A partir do ano 2002, toda escola de fisioterapia nos EUA têm que formar fisioterapeutas com nível pelo menos de mestrado. Ou seja, fisioterapeutas formados com nível de bacharelado não receberão licenças. Como no Brasil a formação de fisioterapeutas é de nível de bacharelado, o profissional formado no Brasil não poderá atuar aqui, a não que ele obtenha a licença antes do ano 2002. Portanto, se brasileiros quiserem vir trabalhar aqui, eles tem que agir antes do ano de 2002.

Escrevo este artigo para informar o brasileiro da mudança do campo de trabalho para fisioterapeutas na América do Norte nos últimos anos. Não escrevo para desanimar o brasileiro que quer vir trabalhar aqui, mas gostaria de alerta-los que não esta fácil de achar emprego como estava há uns anos atrás. Conheço casos de muitos brasileiros que passaram muitas horas estudando para tentar trabalhar aqui. Muitos destes não conseguiram passar no exame nacional de fisioterapia, alguns chegaram a repetir o exame 6 vezes.

Certos estados americanos agora não permitem que o indivíduo faça exame mais de três vezes. Conheço pessoas que vieram das melhores universidades do Brasil e mesmo assim não conseguiram licença. Assim, muitos voltam para o Brasil desanimados.

O Brasileiro ainda pode arrumar emprego aqui e talvez patrocínio para visto de trabalho. Entretanto, a dificuldade para achar emprego e conseguir licença esta bem maior.

Fonte: Faça Fisioterapia